Mundo Vet
   Reflita: Encontrei seu cão

Achei este texto, de autoria desconhecida, na internet. É um soco no estômago. Prepare-se.

 

Hoje encontrei seu cão. Não, ele não foi adotado por ninguém. Aqui por perto, a maioria das pessoas já têm vários cães; aqueles que não têm nenhum não querem um cão. Eu sei que você esperava que ele encontrasse um bom lar quando o deixou aqui, mas ele não encontrou. Quando o vi pela primeira vez, ele estava bem longe da casa mais próxima e estava sozinho, com sede, magro e mancava por causa de um machucado na pata.

Eu queria tanto ser você naquele momento em que parei na frente dele. Para ver sua cauda abanando e seus olhos brilhando ao pular nos seus braços, pois ele sabia que você o encontraria, sabia que você não esqueceria dele. Para ver o perdão em seus olhos pelo sofrimento e pela dor por que ele havia passado em sua jornada sem fim à sua procura... Mas eu não era você. E, apesar das minhas tentativas de convencê-lo a se aproximar, seus olhos viam um estranho. Ele não confiava em mim. Ele não se aproximava.

Ele virou as costas e seguiu seu caminho, pois tinha certeza de que esse caminho o levaria a você. Ele não entende que você não está procurando por ele. Ele só sabe que você não está lá, sabe apenas que precisa te encontrar. Isso é mais importante do que comida, água ou o estranho que pode lhe dar essas coisas. "
 
Percebi que seria inútil tentar persuadi-lo ou segui-lo. Eu nem sei seu nome. Fui para casa, enchi um balde d' água e uma vasilha de comida e voltei para o lugar onde o havia encontrado. Não havia nem sinal dele, mas deixei a água e a comida debaixo da árvore onde ele havia buscado abrigo do sol e um pouco de descanso. Veja bem, ele não é um cão selvagem. Ao domesticá-lo, você tirou dele o instinto de sobrevivência nas ruas. Ele só sabe que precisa caminhar o dia todo. Ele não sabe que o sol e o calor podem custar-lhe a vida. Ele só sabe que precisa encontrá-lo.

Aguardei na esperança de que voltasse para buscar abrigo sob a árvore, na esperança de que a água e a comida que havia trazido fizessem com que confiasse em mim e eu pudesse levá-lo para casa, cuidar do machucado da pata, dar-lhe um canto fresco para se deitar e ajudá-lo a entender que agora você não faria mais parte de sua vida. Ele não voltou aquela manhã e, quando a noite caiu, a água e a comida permaneciam intocadas. Fiquei preocupada. Você deve saber que poucas pessoas tentariam ajudar seu cão. Algumas o enxotariam, outras chamariam a carrocinha, que lhe daria o destino do qual você achou que o estava salvando - depois de dias de sofrimento sem água ou comida.

Voltei ao local antes do anoitecer. Não o encontrei. Na manhã seguinte, voltei e vi que a água e a comida permaneciam intactas. Ah, se você estivesse aqui para chamar seu nome! Sua voz é tão familiar para ele. Comecei a ir na direção que ele havia tomado ontem, sem muita esperança de encontrá-lo. Ele estava tão desesperado para te encontrar, que seria capaz de caminhar muitos quilômetros em 24 horas.
 
Algumas horas mais tarde, a uma boa distância do local onde eu o havia visto pela primeira vez, finalmente encontrei seu cão. A sede não o atormentava mais. Sua fome havia desaparecido e suas dores haviam passado. O machucado da pata não o incomodava mais. Agora seu cão está livre de todo esse sofrimento. Seu cão morreu.

Ajoelhei-me ao lado dele e amaldiçoei você por não estar aqui ontem para que eu pudesse ver o brilho, por um instante sequer, naqueles olhos vazios. Rezei, pedindo que sua jornada o tenha levado àquele lugar que acho que você esperava que ele encontrasse. Se você soubesse por quanta coisa ele passou para chegar lá... E eu sofro, pois sei que, se ele acordasse agora, e se eu fosse você, seus olhos brilhariam ao reconhecê-lo, ele abanaria sua cauda, perdoando-o por tê-lo abandonado.

Autoria Desconhecida

 



Escrito por Márcia às 20h47
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   Parto Cesariana

Uma das cenas mais emocionantes que possam acontecer no centro cirúrgico de uma clinica veterinária, é o parto com filhotes viáveis (isto é, com chance de sobreviverem).

Infelizmente, também tem sido uma cena cada vez mais rara.

Acredito que seja devido à castração da maioria das pacientes.

As poucas não castradas, as reprodutoras de criadores, normalmente tem seus filhotes em casa, caso nada de errado esteja acontecendo.

Em alguns partos, nem tudo dá tão certo assim.

A maioria dos casos que atendemos na Polivet Riacho Grande é de fêmeas miniatura que não conseguem ter cria sozinhas, devido ao grande porte dos filhotes gerados.

É o caso das pinschers, as poodle-toys, as shee-tzu e yorkshires.

Hpa algusn domingos atrás fizemos o parto cesariana de uma poodle toy muito pequena, mas que carregava uma barriga enorme.

Neste caso e em vários outros, os proprietários até se preocupam em cruzar suas cadelinhas minúsculas com machinhos igualmente pequenos, porém nem sempre isso dá certo. Vou explicar.

Existem muitos casos de cães realmente muito pequenos quando adultos, mas que carregam consigo gens de cão de porte bem maior. Por este ou aquele motivo, o cãozinho acabou ficando muito pequeno, mas seu material genético não é de cães tão pequenos assim.

Portanto, se você quiser mesmo cruzar sua minúscula cachorrinha, encontre um machinho pequeno, mas cujos irmãos, pais, avós e bisavós também sejam pequenos. Dessa forma você terá uma garantia maior de que os filhotes gerados serão também muito pequenos.

Ai você me diz: "-Mas eu não consigo descobrir um machinho que além de pequeno, tenha a familia por perto para que eu saiba se são geneticamente pequenos".

E eu respondo: Temos duas saídas. A primeira delas é cruzar seu "chaveirinho" com cães com pedigree (nem vou entrar no mérito da idoneidade do pedigree, vou sim é partir do princípio de que moramos num país sério e sem falcatruas). S segunda delas é não cruzar, não arriscar!

Publico abaixo a foto da paciente antes e depois do parto cesariana.

Na primeira foto você poderá notar um grande desconforto da paciente, que estava intranquila, dorso arqueado, olhar de súplica por ajuda.

Na segunda foto ela ainda estava sob efeito de sedativos, mas já operada, e ao lado dela um de seus filhotes.

A cria foi de três filhotes e todos saíram vivos da clínica.



Escrito por Márcia às 18h17
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   Pássaros no paraíso

Não é a primeira e nem vai ser a última vez que vou elogiar o lugar onde moro nos últimos 20 e poucos anos, o Riacho Grande.

Embora seja cheio de problemas, o Riacho tem muito charme.

A natureza aqui é muito próxima de nós.

Temos a represa, muitas árvores, mata Atlântica na porta de casa, e com isso vem os animais silvestres.

Nunca vi, mas dizem que nas matas tem até onça. Será história de caçador? Não quero ter provas, não...

Mas já vi esquilo, ouriço, pica-pau, tucano, lagarto, tamanduá, ratão do banhado, garça, gambá, sabiá, jararaca, mico, beija-flor e tantos outros que dá uma lista enorme.

Há mais ou menos um mês, começamos a ouvir cantos de passarinhos diferentes dos habituais.

Em um dia de pouco movimento na clinica, começamos a procurar os autores dos piados estranhos.

Nos deparamos com passarinhos de porte grande, topete, muito "falantes", que eu não conheço.

Bom, o fato de eu não conhecer não significa que sejam aves raras, porque realmente não conheço aves.

Fizemos algumas fotos. Será que são pica-paus diferentes dos que conhecia?

Caso você os reconheça, por favor me avise pelos comentários ou por email (polivetrg@uol.com.br).

Nas fotos você verá um dos exemplares no alto do pinheiro que temos na floreira do estacionamento da clinica, e o outro, que respondia com piados à este, no fio de eletricidade em frente à clinica.

E antes que eu me esqueça ! Desculpem a s fotos sem foco, mas como fotógrafa devo ser ótima veterinária, rs...



Escrito por Márcia às 17h55
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   Campanha de castração

Estou fazendo a minha parte.

Não tem como nós, veterinários autônomos, resolvermos o problema dos cães abandonados pelas ruas.

O nosso bairro, o Riacho Grande, é vítima do abandono dos animais.

Entre abandonar em pleno centro da cidade, com câmeras por todos os lados, e abandonar numa erma rua sem saída deste bairro, todo mundo escolhe a última opção.

Além disso, há uma falsa crença de que por aqui, por haverem muitas chácaras, as pessoas coloquem os animais abandonados para dentro do portão, pois essas pessoas dispõem de "espaço".

Sim, espaço existe. Aqui no minimo as pessoas tem quintais grandes, quando não milhraes de metros quadrados de quintal.

Mas quem disse que basta espaço?

Criar um animal de estimação exige muito mais do que espaço. Exige tempo, dinheiro, carinho, dedicação, abrir mão de alguns passeios, limpar cocô e xixi, quando não um vômito também.

Chegamos à um ponto em nosso bairro, em que não podemos mais colocar nossos cães na coleira e sair para passear na prainha da represa.

No caminho muitos cães soltos avançam no nosso cão, e o que era para ser um prazer, vira uma epopéia.

Bom, tudo isso para dizer que o veterinário não tem como resolver esse problema. Não podemos adotar todos os cães da rua, como muitas pessoas pensam (dificil passar um dia sem que pelo menos uma pessoa venha nos oferecer um cão, ou até uma ninhada de cães).

O "trabalho de formiguinha" que podemos fazer, é reduzir ao máximo os preços da cirurgia que evita a reprodução dos cães.

Há anos desenvolvemos na clinica uma campanha de castração.

Ele a se realiza duas vezes por mês.

Há algumas condições para que o animal possa se enquadrar na campanha. Fornecemos todos esses detalhes pelo telefone, ou pessoalmente.

Os preços começam em R$ 70,00.

O objetivo é atingir a população menos favorecida, ou, como tem acontecido bastante, as pessoas mais favorecidas que não querem adotar custeiam a cirurgia para o cão de rua.

É o que está ao nosso alcance no momento.



Escrito por Márcia às 19h52
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   Gatos em Natal

No último final de semana me dei ao luxo de fazer uma rápida e deliciosa viagem. Fomos conhecer a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.

Aqui no blog não cabe comentar as maravilhas do lugar, porque este é um blog veterinário.

Só que uma coisa não pude deixar de perceber.

Em Natal, vimos muito mais gatos do que cães na rua!

Não sei qual é a politica adotada pelo Centro de Controle de Zoonoses de lá, mas pelo numero reduzido de cães soltos nas ruas (e passeando com seus proprietários também), acabei achando que os gatos dominam aquela região.

Numa feirinha de artesanato localizada na entrada do Forte dos Reis Magos, primeiro vimos uma caixinha de papelão debaixo de uma das barracas, onde havia uma gata e seus filhotes muito novos (deveriam ter menos de uma semana de idade).

Um pouco mais à frente, uma mesa com cadeiras cheias de gatos (foto abaixo)

Além destes, haviam mais dois ao lado, deitados na grama, que não apareceram na foto.

Será que minha impressão estava errada?

 



Escrito por Márcia às 19h27
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   Tranqueira

Demos alta ontem à noite ao Tranqueira.

Ele é o único SRD que convive com vários Pitbulls.

Os Pitbulls são muitas vezes injustiçados, por terem fama de serem violentos.

A maioria deles não é.

Conheço poodles muito mais bravos do que a maioria dos pitbulls.

Mas nesse caso, os dóceis pitbulls são muito territorialistas com outros cães.

O Tranqueira foi vítima deles.

Para saberem quem é o Tranqueira, ele é um que aparece deitado sobre uma pitbull durante uma consulta, num post anterior.

Na época da foto ele era um filhote.

Acontece que na ultima sexta-feira, sem que tivesse ninguém em casa, uma das pitbulls se revoltou contra o Tranqueira, e começou uma briga feia.

Os outros cães se solidarizaram com a pitbull encrenqueira, e a consequência foi o Tranqueira ser mordido por pelo menos mais 2 cães.

Ao chegar na clinica em choque, até pensei em tirar fotos, mas a urgência em tratá-lo foi mais forte.

Eu e Dra. Vanessa começamos a aplicar analgésicos e antibióticos, anestesiar e suturar o cão por volta das 13 horas.

Três horas depois, mesmo que estivéssemos fazendo as suturas em quatro mãos, o procedimento não havia terminado.

Incontáveis lacerações...

A sorte do Tranqueira foi ter sido mordido na região dos braços, pernas, orelhas e boca.

Caso fosse de porte menor e as mordidas tivessem acontecido em tórax ou abdomem, teria morrido.

Tranqueira agora se recupera em casa, longe do quintal e da convivência dos outros cães.

Saiu da clinica andando devagarzinho, com cuidado, com uma receita enorme de medicamentos para tomar.



Escrito por Márcia às 08h48
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