Domingo, 2h30
Fernanda, gatinha siamesa de 8 meses de idade. Aproveitou-se da presença de uma escada colocada para que seu proprietário arrumasse uma antena. Subiu mais de 3 metros pela escada. Assim teve acesso à um muro pelo qual nunca tinha andado. Do outro lado do muro estava um grande cão, que esperou que Fernanda passasse mais perto e a abocanhou.
Poucas feridas externas.
Fratura completa da coluna tóraco-lombar, com secção da medula.
Isso significa não mais andar, não mais ficar de pé, não mais urinar voluntariamente, não mais defecar voluntariamente, não mais espantar moscas com sua cauda.
Foi sacrificada.
Escrito por Minestra às 03h37
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Domingo, 1h30
Á Tuti, um pinsherzinha de 0,85 Kg, que vem sendo tratada há dias, está pior.
Ela nasceu com vários problemas, como hidrocefalia, mas agora teve a falta de sorte (falta de sorte e falta de vacina também, verdade seja dita) de contrair cinomose.
Veio nesta madrugada para ser internada, uma vez que já não se alimenta e tem apresentado convulsões.
Já está melhorzinha após a primeira medicação. Tomara que se mantenha assim.
Escrito por Minestra às 03h33
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Sábado, 5 da manhã.
Daqui 45 minutos completo 24 hs no ar...
Dá até vontade de desistir de trabalhar durante a semana no horário normal, para ter disposição para atender os plantões.
As 5 horas da manhã do sábado fui acordada por uma cliente deseperada com o choro de seu cão. Ele tem 16 anos. Estava sendo tratado por alguém que a cliente afirma ser um veterinário, mas eu duvido.
O cão tem perdido peso vertiginosamente, está só pele e osso. Causa? Velhice (segundo a tal veterinária que o estava atendendo).
Toma água em excesso. Causa? Velhice.
Parou de comer. Causa? Velhice também.
Apresenta diarréia preta. Causa? Claro que a velhice.
Chora, não anda, tem sangue na urina. Tudo por causa da velhice?
Não! Velhice não é doença!!! Há doenças que ocorrem com mais frequencia na velhice, mas ela em si é só uma fase da vida.
Esse cão estava tomando Lotensin e Nutracor, remédios para o coração. Essa informação já foi me passada por telefone, então pedi que me trouxesse também os exames, para que eu avaliasse se a medicação era conveniente.
Não, não tem exames. A veterinária deve ser boa demais, ou deve ter descoberto onde vende aquelas famigeradas bolas de cristal, que adivinham os diagnósticos...
Meu Deus!! Estamos em 2006 !!! Tem veterinário ralando e pagando muito caro por cursos que os habilitem a fezer eletrocardiogramas, radiografias do tòrax e ecocardiogramas. Estão ralando à toa?
A proprietária pediu exames. Veja só: ela mesma teve que pedir exames!!! Mas a coleguinha se negou, dizendo que ele era velho, não duraria muito tempo, portanto não valeria a pena fazer exames.
Está no nosso código de ética: Somos obrigados à oferecer tudo o que existe à disposição para diagnóstico e tratamento de animais que nos foram confiados.
Estava sendo tratado então de uma misteriosa doença cardíaca, tomando antibiótico, Dipirona.
E na verdade, segundo exames que realizamos aqui, esse animal apresenta uma insuficiência RENAL grave e crônica.
Provavelmente irá morrer. Mas proprietário e veterinário, desta vez, têem a certeza de terem feito tudo o que estava ao alcance para tentar salvá-lo. Mesmo ele sendo velho.
Escrito por Minestra às 03h28
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Gatinhos
Sabem os três gatinhos que estou doando, cujas fotos estão no penultimo post?
Imaginem eles duplicados em tamanho.
Estão enormes, e continuam aqui.
Me ajudem a arrumar um lar para eles...
Escrito por Minestra às 23h00
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Complicada a situação...
Durante a nossa graduação do curso de medicina veterinária, não somos preparados para uma série de situações que a carreira irá nos apresentar. A intuição, o bom senso, acaba nos ensinando como agir.
Situações onde temos que lidar com a depressão dos proprietários tem sido cada dia mais comuns.
Agora mesmo aconteceu.
Eu estava terminando uma cirurgia quando chega uma proprietária com seus dois cães.
Anuncia que quer falar comigo, pois trouxe os dois para a eutanásia...
Assim, desse, jeito, os dois, eutanásia por baciada, por atacado...
Juro que me deu vontade de que a cirurgia não terminasse nunca. O centro cirúrgico é um refúgio, pois todos compreendem que quando estamos lá em ação, não podemos ser interrompidos por nenhum motivo.
Mas a cirurgia terminou, respirei fundo, pedi para que meus anjos da guarda ficassem mais atentos do que de costume, e pedi para a proprietária entrar.
Ela já chegou com os olhos inchados.
Disse que havia conversado em casa sobre o assunto, e a decisão pela eutanásia já havia sido tomada.
Com ela entrou uma amiga (igualmente com os olhos inchados de tanto chorar) e os dois cães, mãe e filho, akitas brancos, felizes da vida, abanando as caudas, fazendo bagunça.
A mãe de 12 anos, já um pouco obesa, nunca deu trabalho. Diz a proprietária que de uns tempos pra cá tem notado gotas de sangue em sua urina, e que quando isso acontece, ela fica meio encolhida, trêmula, demonstrando dor.
O macho, um pouco mais jovem, teve problemas de pele desde pequeno. Percorreu vários veterinários, ambulatórios de faculdades, especialistas, mas cada profissional interpretava seu problema de uma forma diferente, e, portanto durante toda a vida esse animal se coçou e perdeu pêlos.
Há um ano, conseguimos definitivamente descobrir seu problema (hipotireoidismo), e embora a doença não tenha cura, o controle tem sido satisfatório, com poucos episódios de crises.
Pó que então ela quer sacrificar os dois?????
Juro que não entendi.
Não entendi, mas imagino.
Geralmente quando as pessoas estão passando por problemas na vida pessoal, tais como separações, morte de um familiar, falência, tendem a querer chamar atenção e achar soluções fáceis para problemas insolúveis.
Claro que não sacrifiquei nenhum dos dois animais.
Pacientemente disse que eutanásia não poderia ser aplicada em casos onde não haja sofrimento do animal, e que não tenha sido tentado simplesmente TUDO para a cura ou controle do mal.
Depois de alguma insistência, perguntei se ela havia jogado fora os potes de água e de ração dos cães. Provei que se ela não jogou, é porque sabia que eu (ou qualquer colega bem intencionado) a faria voltar para casa com sua família canina.
Recomendei que ela tentasse amanhã logo que acordasse, se imaginar sozinha em casa, sem a companhia de suas sombras peludas.
Por último, pedi que ela virasse seu rosto para ver seus cães e chamasse o nome deles. Claro que eles não me decepcionaram e abanaram as caudas. Nesse momento perguntei se ela tinha certeza de querer o que estava me pedindo.
Sua resposta foi mais um rio de lágrimas...
Ficou de me dar um retorno sobre se deixaria que eu os examinasse e prescrevesse exames e tratamento para os dois.
Vai ser um longo fim de semana....
Escrito por Minestra às 22h57
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