Joca Pedregulho
Raramente posto durante o dia, mas hoje vou tentar.
Complexo de vampirismo? Nãããooo. É que durante o dia, sou constantemente interrompida (nestas duas linhas preenchi um cheque, recebi meu filho que chegou da escola louco de saudades da mammy, vi que o Amonex mudou de nome - Herbalvet - duro vai ser lembrar disso, sugeri qual ração dar às corujas hoje - putz, a Purina ainda não entrtegou a ração..., e quase que abro outra janela para consultar o extrato bancário). Meio improdutivo.
Não dá para dizer que uma das qualidades dos blogs do Uol seja a paciência. Perder um post é mais fácil do que se imagina. Basta um telefonema interrompendo o texto....e dançamos.
Mas essas noites frias não me inspiram a ficar plantada até tarde nesta sala gelada.
Nada de especial tem acontecido...nada de rins esmagados por mordida, nada de casos excepcionais...exceto o Joca.
O Joca é um Cocker Spaniel com uma facilidade espantosa em formar cálculos (pedras) na bexiga.
Já o operei em novembro do ano passado pelo mesmo problema, mas é difícil imaginar como pode em 7 meses formar tantas novas pedras. Sua bexiga estava semana passada totalmente ocupada por elas, quase não sobrando espaço para armazenar sua urina.
Sim, existem formas de pelo menos se tentar evitar esses cálculos, mas seu proprietário se diz incapaz de gastar tanto para adquirir as rações com essa finalidade.
Acreditem ou não, é mais barato operar o cão com cálculos, do que evitar a formação deles com o uso de rações terapêuticas.
Claro, facilmente agora caimos naquele papo de posse responsável: se não tem dinheiro para tratar adequadamente seu cão, então não deveria tê-lo adquirido. Isso é verdade, mas envolve tantas outras coisas que não cabe aqui discutir.
O fato da cirurgia ser mais barata do que a prevenção da formação dos cálculos também me remete à outra discussão. O sucateamento e banalização da minha profissão é a cada dia mais evidente. Tenho ouvido constantemente frases como: "Ah, mas isso é muito dinheiro para gastar com o tratamento do cachorro...ainda que fosse para pagar meu médico, vá lá. Mas veterinário não". Então tá, né?
Mas voltando ao Joca: O caso dele me impressionou porque antes da cirurgia, ao tocarmos a região da bexiga, conseguíamos ouvir o barulho produzido por uma pedra se atritando com a outra. Foi esse som que convenceu ao proprietário operá-lo novamente.
À seguir, mostro algumas fotos da cirurgia e das pedras recuperadas.
Obs: O Joca passa bem.

Essa coisa amarelinha é um dos cálculos. A bexiga está aberta e suspensa por 2 fios de ancoragem.

Foram tantos os cálculos que dei vários para seu proprietário deixar de enfeite na sala, mandei outros vários para a análise do laboratório (essencial saber do que foram formados, para evitar novos episódios), e guardei outros muitos comigo.
Escrito por Minestra às 11h03
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Amigos para sempre Parte 2
E para que vocês não fiquem imaginando que só porque temos quase 20 anos de formados, somos um bando de velhinhos ranzinzas, mostro agora o que aconteceu 10 segundos depois da foto postada em 20/06/05. A gente nunca vai crescer mesmo...

Ganha um doce quem adivinhar quem foi que se jogou primeiro....
Escrito por Minestra às 00h15
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Amigos para sempre...
Neste final de semana , fui até Londrina/PR me reencontrar com a turma da faculdade.
Nunca imaginei que isso pudesse ser tão bom e proveitoso.
Amigos queridos, guardados no fundo do coração...relembrar as loucuras...conhecer agora seus filhos...Não dá para descrever o tanto que é bom.
Muita gente compareceu. Vou postar uma foto do primeiro dia (sábado), mas várias pessoas estão faltando ai.
Voltei renovada.

Da esquerda para a direita:
De pé: Angélica, Flávio Sagae, Sérgio ("Meu Guri"),Airton,Jefferson("Caburé"),Camacho, Podleskis,Zé Anselmo,Campiolo, Santilli,Aluizio,Marcão Issa, Balan.
Agachados: Osvaldo,Peter,Dadu,Rui,Caio,Paulo Griska, Eu (Márcia), Elisa e Alice.
Escrito por Minestra às 22h44
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Matando saudades...
No inicio do ano de 1982, eu e mais 39 apaixonados pelas mais diversas espécies de animais nos conhecemos numa sala de aula do curso de Medicina Veterinária, no campus da Universidade Estadual de Londrina.
Naquele tempo, poucas vagas existiam para esse curso no Brasil. Não havia sequer uma faculdade particular de veterinária.
A paulistinha bobinha aqui apostou todas as fichas no que parecia ser uma loucura (eu era totalmente dependente da familia), mas que se mostrou ter sido o passo mais acertado que já dei na vida.
Fui morar na terra do chão "vermeio", escutar música sertaneja, conhecer pessoas de vários cantos do Brasil, aprender a cozinhar e arrumar a própria cama.
Amanhã à noite vou para Londrina rever parte dessa gente que viveu a mesma trajetória que eu. Vamos reunir os colegas de classe com suas respectivas familias, durante o fim de semana.
Dá prá imaginar a ansiedade? São todos amigos do peito, foram cúmplices em assinar listas de presença um para o outro, passar cola, chorar a perda da namorada, oferecer o Engov para aquele que tomou todas no ultimo churrasco, e até mesmo varar a noite estudando em grupo (porque não?). Só que 23 anos depois (e sem eu ter encontrado quase nenhum deles nesse tempo todo), todos estarão fisicamente muito diferentes, inclusive eu. Mais do que isso, todos estarão loucos de vontade de contar o que lhes aconteceu desde o momento em que recebemos nossos certificados de conclusão de curso, até os dias de hoje.
Dois dias serão suficientes para tudo isso? Acho que não.
Já recuperei o contato pela internet (por e-mail...nenhum deles tem orkut... pode isso?) com uns 10 amigos, e só por isso já valeu.Mas com certeza pessoalmente será muito melhor.
Quando eu voltar, posto aqui a foto oficial dos barrigudos e carecas, rs...
Bom final de semana à todos.
Escrito por Minestra às 22h07
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A semana
Esta semana foi calma demais. Poucos casos desafiantes acontecendo.
Mas não é só de casos desafiantes que vive o veterinário.
Hoje mesmo fiz o reforço das vacinas de dois pacientes de peso: Max (70 quilos) e a Laika (65 quilos).
Atendo essa dupla há anos, mas hoje em dia eles só tem precisado vir até aqui para vacinas mesmo, pois agora são muito saudáveis (já deram muito trabalho quando "adolescentes).
Os dois tiveram surtos de demodicose na infância, o Max já foi o "rei da bicheira", e a Laika já teve que operar o joelho pois rompeu o ligamento cruzado, e foi castrada.

Essa linguaruda simpática é a Laika.

O Max, não menos linguarudo, tem os pêlos mais curtos.
A minha sorte é que eles costumam vir próximo do horário de fechar a clínica, porque eu fico totalmente babada.
Hoje eu soube que o Max avançou numa visita que chegou de moto, sem avisar, e rasgou a camisa do suposto inimigo. Não deve ser fácil ver um São Bernardo correndo na sua direção para atacar...e ficar tranquilo.
Mas eles não são bravos. Só exercem a guarda da casa por territorialismo.
As crianças montam cavalinho neles.
O engraçado é que a familia dos proprietários dos São Bernardos tem o mesmo porte dos cães. São altos, grandes, falam alto (são italianos), riem muito. Eles se parecem.
Escrito por Minestra às 21h42
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Homenagem ao Dia dos Namorados

Amar é muito bom!!!!
Escrito por Minestra às 00h12
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Sem palavras...

Escrito por Minestra às 23h42
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Diário de um cão (prepare o lenço)
DIÁRIO DE UM CÃO!
1a semana - Hoje completei uma semana de vida. Que alegria ter chegado a este mundo !
1 mês - Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar !
2 meses - Hoje me separaram de minha mamãe.
Ela estava muito irrequieta e,com seu olhar, disse-me adeus. Espero que a minha nova "família humana " cuide tao bem de mim como ela o fez.
4 meses - Cresci rápido; tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e para mim são como " irmaozinhos ".
Somos muito brincalhões, eles me puxam o rabo e eu os mordo de brincadeira.
5 meses - Hoje me deram uma bronca. Minha dona se incomodou porque fiz "pipi " dentro de casa. Mas nunca me haviam ensinado onde deveria fazê-lo.Além do que, durmo no hall de entrada. Nao deu para aguentar.
8 meses - Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro,tão protegido...
Acho que a minha família humana me ama e me consente muitas coisas. O pátio e todinho para mim e, às vêzes, me excedo, cavando na terra como meus antepassados, os lobos quando escondiam a comida. Nunca me educam. Deve ser correto tudo o que faço.
12 meses - Hoje completo um ano. Sou um cão adulto. Meus donos dizem que cresci mais do que eles eperavam. Que orgulho devem ter de mim !
13 meses - Hoje me acorrentaram e fico quase sem poder movimentar-me até onde tem um raio de sol ou quando quero alguma sombra.
Dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está acontecendo.
15 meses - Já nada é igual... moro na varanda. Sinto-me muito só. Minha família já não me quer! As vêzes esquecem que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho teto que me abrigue...
16 meses - Hoje me desceram da varanda. Estou certo de que minha família me perdoou. Eu fiquei tão contente que pulava com gosto. Meu rabo parecia um ventilador. Além disso, vão levar-me a passear em sua companhia ! Nos direcionamos para a rodovia e, de repente, pararam o automóvel. Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que passaríamos nosso dia no campo. Não compreendo porque fecharam a porta e se foram. " Ouçam, Esperem ! "lati...se equeceram de mim... Corri atrás do carro com todas as minhas forcas. Minha angústia crescia ao perceber que quase perdia o fôlego e eles não paravam. Haviam me esquecido !
17 meses - Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar.
Estou e sinto-me perdido ! No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algum alimento. Eu lhes agradeço com o meu olhar, desde o fundo de minh'alma. Eu gostaria que me adotassem: seria leal como ninguém! Mas somente dizem: " pobre cãozinho, deve ter se perdido. "
18 meses - Um dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas criancas e jovens como meus " irmãozinhos " Me aproximei e um grupo deles, rindo, me jogou uma chuva de pedras " para ver quem tinha melhor pontaria ".Uma dessas pedras, feriu-me o olho e desde então, não enxergo com ele.
19 meses - Parece mentira. Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim. Já estou muito fraco; meu aspecto mudou.
Perdi o meu olho e as pessoas me mostram a vassoura quando pretendo deitar-me num pequena sombra.
20 meses - Quase nao posso mover-me ! Hoje,ao tentar atravessar a rua por onde passam os carros, um me jogou ! Eu estava no lugar seguro chamado "calcada ", mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do condutor, que até se vangloriou por acertar-me. Oxalá me tivesse matado! Mas só me deslocou as cadeiras!A dor e terrível ! Minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade arrastei-me até a relva, na beira do caminho.
Faz dez dias que estou embaixo do sol, da chuva, do frio, sem comer. Já nao posso mexer-me !A dor é insuportável ! Sinto-me muito mal; fiquei num lugar úmido e parece que até o meu pelo esta caindo...
Algumas pessoas passam e nem me veem; outras dizem: " não chegue perto". Já estou quase inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos. A docura de sua voz me fez reagir. "
Pobre cãozinho, olha como te deixaram ", dizia... junto com ela estava um senhor de avental branco. Começou a tocar-me e disse: "
Sinto muito senhora,mas este cão já não tem remédio ". " É melhor que pare de sofrer ". A gentil dama, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou. Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar.
Somente senti a picada da injeção e dormi para sempre, pensando em porque tive que nascer se ninguem me queria...

Escrito por Minestra às 23h34
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