Correções e mais correções - Parte 1
Fiquei contente por ter conseguido saber, através dos comentários, de que o meu blog está sendo lido por mais do que as três pessoas que eu já sabia que liam....
Dias atrás foi meu brother Rabitto que deixou umas palavrinhas, e hoje um futuro colega da Bahia, o Daniel.
O Daniel deu um puxãozinho de leve na minha orelha, que merece ser comentado. Para quem não tem costume de ler os comentários, vou copiar/colar aqui abaixo, e logo em seguida vai o meu comentário para ele (se o Uol permitir que eu escreva tanto assim)
[Daniel Nunes][zeusdan@hotmail.com][www.fotolist.com.br/zeusdan] Olá, tudo bem, sou estudante de veterinária da UFRPE, estou me especializando em pequenos, silvestres e ortopedia, não gosto de me meter onde não sou chamado, vi um pequeno erro que acredito que possa ser resolvido, que na foto é um jararaca e que o que vc fala é verdade, convordo com vc, porém falar que não mata já é outra coisa, estamos diante da serpente com maior indice de ataque/morte do brasil, se trata de uma serpente venenosa, e que se não tivermos os cuidados necessários, o animal vem a obito, vc pode pesquisar isso em qualquer livro de ofidismo que irá falar, procura na revista animal vet 2º edição, tem uma matéria que falar só de acidentes com serpentes, espero que te ajude em alguma coisa, póis essa informação que vc colocou na net pode ser perigosa, para os leigos no assunto, desculpas pela intromissão, mas não gosto de ver erros que podem ser concertados, obrigado e passar bem. qualquer coisa que possa ajudar é só entrar em contato. fica com Deus.
24/11/2004 15:55
Escrito por Minestra às 20h28
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Correções e mais correções- parte 2
Minha resposta:
Daniel, prazer em te conhecer.
Parece que você leu atentamente meu post. Que bom. Pensei que ninguém perdesse tempo com isso.
Você tem alguma razão sim. O veneno da serpente do gênero Bothrops pode realmente, em situações extremas, ser fatal.
O veneno da Jararaca, resumidamente, causa reação LOCAL intensa e rápida, caracterizada por inflamação, edema, equimose, formação de bolhas, necrose e dor.
Em 18 anos que atuo como clínica numa região semi-rural, onde os acidentes ofídicos (por jararacas) são comuns, nunca assisti ao óbito de nenhum paciente, porém, na literatura, há alguma citação à riscos de obstrução respiratória e insuficiência renal aguda.
Apenas preciso ressaltar que você talvez esteja confundindo MORBIDADE com MORTALIDADE.
As jararacas são responsáveis por 90 % dos acidentes ofídicos notificados ao Ministério da Saúde. Isso não é índice de mortalidade,ok?
O que acontece é que as jararacas são muito comuns no Brasil, e extremamente agressivas, o que contribui para o numero alto de ataques.
Mas raramente causa óbito, tanto em humanos, como em animais.
Já que estamos falando de pequenos erros, agora me sinto à vontade para apontar alguns no seu comentário:
1.Você não está se especializando em pequenos, silvestres e ortopedia. Você é “simpatizante” e talvez pretenda atuar nessas áreas. Acredito que você saiba que para se especializar, é preciso já ser graduado, freqüentar cursos de especialização reconhecidos, com um mínimo de 550 horas em cada especialidade, e posteriormente ter sua especialização reconhecido por algum colégio dentro daquela especialidade, ou poder comprovar que atua há “x” anos (não me lembro exatamente, mas essa informação é facilmente obtida no site do CFMV) dentro daquela área, e domina completamente a especialidade . Estamos lutando muito para termos especialidades reconhecidas, e ao mesmo tempo fazendo uma grande campanha para que os veterinários finalmente parem de se auto-intitularem especialistas, quando na verdade são generalistas.
2.Livros de “ofidismo” são livros que classificam e estudam as características das cobras. Dados como esses a que você se refere (mortalidade dos animais picados por serpentes), são mais facilmente encontrados em livros de clínica médica e de emergência.
3.Infelizmente não conheço a revista animal vet 2ª edição, mas sei que o trabalho ao qual vc se refere foi publicado recentemente em alguma das revistas que assino (Medvep ou Clinica Veterinária).
4.ConSertados, se escreve com s....
Concluindo: Espero que meus leitores se lembrem dessa correção, pois as jararacas podem sim matar, embora a taxa de mortalidade seja muito pequena, e portanto, não saiam pr ai desafiando jararacas, pensando que a conseqüência disso vá se limitar à uma extensa ferida necrótica.
E, Daniel: espero que volte mais vezes neste blog, que continue a ler atentamente ,e aponte os trechos discordantes.
Escrito por Minestra às 20h28
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Como ficar louco em poucos dias
Tem cliente que nos enlouquece.
Tá certo. Tem mais proprietários legais, do que neuróticos...mas os neuróticos marcam mais, porque incomodam um bocado.
Também compreendo perfeitamente que as pessoas fiquem preocupadas com seus animais, na mesma intensidade que ficam preocupadas com seus filhos ditos "naturais", ou seja, da espécie humana.
Só que tudo o que é demais, faz mal.
Nem precisa de estatísticas; podemos provar no dia-a-dia que proprietários que zelam exageradamente por seus bichos, os tem sempre doentinhos. Até cara de infelizes eles têm.
Tem alguns pacientes nesta clínica que já preencheram mais de 15 fichas de prontuário. A maioria desses casos são de animais que na verdade não sofrem de alguma doença grave, que necessite de acompanhamento, mas sim de animais sadios fisicamente, porém doentinhos aos olhos dos seus donos.
Dificil lidar com isso.
Atualmente estamos lidando com um caso bem delicado.
A cachorrinha, que por sinal é uma vira-latas muito simpática, mas cuja proprietária enfiou na cabeça que é uma fox paulistinha (como se isso fosse muita vantagem), passou a infância frequentando a clínica por ter uma coceirinha, um cocozinho mole num dia ou no outro, não ter apetite em uma das diversas refeições que faz no dia. Nada muito sério.
Só que sua proprietária, uma jovem solteira, bonita, que deveria estar aproveitando sua juventude para dançar, viajar, namorar, estudar...passa a vida olhando para o torax de sua cachorrinha enquanto dorme, para se certificar de que esteja respirando.
Resolveu cruzar a dita cuja. Meu Deus!!! Foram os 63 dias mais difíceis desta clinica. Telefonemas à toda hora, querendo saber se é normal que fique cansada, que queira dormir mais, que tenha comido alguns grãos de ração a mais do que no dia anterior.
Você deve estar pensando:
-Ah, mas é normal esse tipo de preocupação quando a cachorrinha está numa situação diferente a que está acostumada.
E eu respondo:
-Sim , é normal, desde que não tivéssemos já passado horas descrevendo tudo o que ia acontecer, quais as reações da futura mamãe, ou desde que não tivéssemos escolhido à dedo e entregado à ela alguns textos interessantes na internet, escrito para leigos, descrevendo a sucessão de acontecimentos que estavam por vir.
Foi um parto normal, rápido, tranquilo, mas é claro que foi realizado na clínica, com o acompanhamento dos veterinários daqui (coitadinha da cachorra...garanto que ela preferia muito mais estar aninhada em sua caminha, em casa, rodeada de pessoas conhecidas e vozes amigas).
Claro também que a proprietária não quer se desfazer dos filhotes. Ficará com todos. Quer ter a certeza de perpetuar nos filhotes a cachorrinha que um dia ficará velha e morrerá (não quero estar viva neste dia, rs).
Hoje, um domingo, ela já ligou 3 vezes. Percebeu que sua cachorrinha "flatulou" (soltou um punzinho), e está muito preocupada com a cólica que isso possa gerar. Quer dar remédio...
Na-na-ni-na-não. Deixa a coitadinha soltar puns à vontade. Pum não é doença.
Nosso comentário aqui nos bastidores é de essa moça deveria ser sorteada, arranjar um namorado que lhe desse bastante trabalho, a deixasse preocupada, ocupasse seu tempo. Só assim sua cachorrinha poderia ser feliz.
Escrito por Minestra às 15h31
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Domingão.
Este blog deveria estar fechado hoje, porque eu não costumo trabalhar aos domingos (de uns tempos para cá, quando finalmente descobri que não adianta fazer tudo sozinha). Mas hoje estou super caseira, já dormi o tanto que quis, já assei meu churrasquinho e o comi, já dei uma zapeada pela tv, e agora tenho tempo para net.
Nos dias de semana tenho muito mais casos interessantes para contar,mas o que fica faltando é o tempo para isso.
Na mesma intensidade que acelero durante a semana, tento desacelerar aos sábados e domingos.É a forma que encontrei de tentar manter a "sanidade mental".
Domingo próximo vou trabalhar, mas atenderei junto com um colega especialista alguns casos que estamos tratando em parceria, e que precisamos rever. Sai da rotina, então não é tão ruim.
No próximo post vou descrever a situação que nos rouba a sanidade mental.
Escrito por Minestra às 15h15
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Jararaca

Olhem só que profissão fui escolher...ninguém merece. A 1 h da manhã chegou à clínica uma cachorrinha preta, de 5 meses, 5 quilos, com...a cara inchada. Não fotografei a cachorrinha, para que vocês não imaginassem que minha especialidade fosse atender cães com a cara inchada. Fotografei sim a causadora do problema, uma cobra jararaca (Bothrops). É um filhote, e pela foto poderão notar que esmagaram sua cabeça. Felizmente essa cobra geralmente só causa inchaço, muita dor e uma baita ferida dias após a picada, mas não mata. Tenho trabalhado demais, e portanto passei mais de uma semana sem conseguir postar. Agora o movimento está mais calmo, e sempre que sobrar um tempinho estarei por aqui.
Escrito por Minestra às 23h46
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Transfusão
Cães as vezes também precisam de transfusão sanguinea.Normalmente, encontramos sangue estocado à venda em alguns laboratórios. Custa caro...Mais ou menos entre 120 e 150 reais cada bolsa de 450 ml, e as vezes o cão precisa de mais de uma bolsa. Sempre mantive na clínica um animal doador. Era a Kelly, uma Doberman que tinha sido abandonada aqui muitos anos atrás. Assim os clientes não precisavam sair correndo ou gastar uma fortuna por um produto que deveria ser gratuito. Mas a Kelly ficou velhinha, se aposentou, e meses atrás morreu. Então cada vez que um cão precisa de sangue, corremos atrás de doadores, cães em perfeito estado de saúde , de grande porte e dóceis. Não é fácil conseguir um. Mas hoje conseguimos a Dara, uma labradora preta dócil como um carneirinho.
 Essa é a foto da heroína Dara
O Peter, o cão receptor do sangue, ficou muito bem depois da transfusão. Ele sofre de um câncer maligno, um mastocitoma, mas que parece estar controlado. O que complicou sua vida foi ter a doença do carrapato (erlichiose)...
Bem, de toda essa história , o que de mais legal aconteceu, foi a mudança de postura.
A proprietária do cão receptor, quando veio buscá-lo, disse que antes desse episódio, se negaria a emprestar um animal seu para ser doador de sangue, mas, que a partir de agora sua postura era outra, ou seja: emprestaria qualquer animal seu para ser doador, caso fosse necessário.
E olha que essa senhora já tem por volta de seus 80 e poucos anos. Nunca é tarde para mudar para melhor.
Escrito por Minestra às 22h06
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Morram de inveja !!!
Não desprezando o trabalho de cada um de vocês, mas eu acho que o meu trabalho é , de longe, o mais agradável de todos. Não que as vezes não cheire mal...não que as vezes não recebamos cheques sem fundos ou sustados (estou com alguns entalados na garganta...e isso foi um desabafo, rs), não que eu não me indisponha vez ou outra com algum proprietário, não que eu seja mal remunerada sempre (!!!), não que eu não leve algumas mordidas e arranhões de uns pacientes que não entendem a minha boa intenção... Mas trabalhar com seres lindos como os bichos, é mesmo um grande privilégio e motivo de honra. A foto abaixo é do Sansão, meu compamheiro aqui na clínica desde 02/11 às 0h00, quando chegou durante o plantão de emergência todo fraquinho e desidratado, com diarréia e vômito. Amanhã certamente receberá alta, pois o risco maior já passou. Seu problema era uma intensa verminose. É o tal do barato que sai caro. Compraram para ele vacinas não éticas, isto é, vacinas que são vendidas nos balcões das lojas, mal conservadas, e aplicadas por leigos, sem que antes fosse examinado. Quase morre por causa dessa economia...só que o tratamento saiu mais caro do que as vacinas éticas, aplicadas por veterinários, após exame clínico e de fezes. Antes que me perguntem: esse cão não tem raça definida (SRD = fura-saco), mas tem um parentesco muito próximo com um Labrador.

Escrito por Minestra às 15h49
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